O cenário inclusivo dos esports vem ganhando cada vez mais visibilidade. Além de torneios constantes, temos mais jogadoras aparecendo. Quer saber mais? Confira aqui!

Os esports têm passado por uma transformação profunda nos últimos anos. De um ambiente muitas vezes dominado por jogadores masculinos, o cenário competitivo começou a se abrir para uma diversidade maior, com destaque para o crescimento do cenário feminino. Com mais visibilidade, investimentos e apoio da comunidade, as jogadoras vêm conquistando espaço em torneios de grande relevância e mostrando que a presença feminina não é apenas necessária, mas fundamental para o desenvolvimento da indústria.
Essa ascensão tem sido impulsionada por iniciativas globais que buscam criar oportunidades e fomentar a inclusão. Campeonatos como o VALORANT Game Changers, organizado pela Riot Games, são exemplos claros desse movimento. O torneio, voltado exclusivamente para mulheres e pessoas de gêneros marginalizados, não apenas fornece um ambiente competitivo de alto nível, mas também atua como uma plataforma para destacar talentos que, muitas vezes, não tinham oportunidades em ligas mistas.
A importância de iniciativas exclusivas

Torneios exclusivos para o cenário feminino desempenham um papel crucial nesse crescimento. Eles permitem que as jogadoras ganhem experiência, confiança e visibilidade, além de servirem como um passo inicial para que algumas consigam competir em ligas mistas. Apesar das críticas de que separar os gêneros em competições poderia “isolar” as jogadoras, na prática, o efeito tem sido exatamente o oposto: mulheres têm mostrado que podem alcançar um nível competitivo altíssimo quando recebem o suporte necessário.
Além disso, a representatividade feminina nesses torneios inspira outras mulheres a entrarem no cenário. Ver jogadoras de destaque, como Daiki (Team Liquid), Jelly (MIBR GC), e tantas outras, motiva novas gerações a acreditar que o competitivo é um espaço acessível para elas.
A indústria e a evolução do cenário
O apoio das organizações também tem sido um divisor de águas. Times renomados, como Team Liquid, Cloud9 e FURIA, têm investido em line-ups inclusivas, não apenas para os campeonatos exclusivos, mas também para mostrar que essas jogadoras têm potencial para competir no mais alto nível. Isso demonstra uma mudança de mentalidade no setor, que reconhece a necessidade de apoiar e valorizar a inclusão.
O interesse das marcas e patrocinadores segue a mesma linha. Grandes empresas estão atentas ao impacto social de apoiar o cenário feminino, reconhecendo que essa mudança não só fortalece a imagem das organizações, como também reflete um mercado consumidor em transformação. A audiência de esports é cada vez mais diversa, com um número crescente de mulheres tanto como jogadoras quanto como espectadoras.
Quebrando barreiras e desafiando estereótipos
A presença feminina nos esports também vai além das conquistas em torneios. As jogadoras enfrentam desafios diários, desde a toxicidade em ambientes online até o questionamento constante sobre suas habilidades. Ainda assim, muitas dessas atletas têm mostrado uma resiliência impressionante, rompendo estereótipos e provando que o talento independe de gênero.
Essas mudanças estão começando a refletir também em ligas mistas. Em 2022, a equipe feminina da G2 Gozen, campeã mundial do Game Changers, provou que poderia competir de igual para igual com times masculinos em treinos e scrims. Já em 2023, vimos jogadoras como Juliano e Petra disputarem partidas em alto nível, reforçando que a inclusão é um caminho inevitável e necessário para o futuro do competitivo.
Como o crescimento do cenário impacta outras pessoas

Claro que esse crescimento ajuda com que o cenário ganhe visibilidade e novas jogadoras comecem a surgir. Um dos exemplos é a Ayumi “ayumi” Maruyama, jogadora da Stellae Gaming, que comentou um pouco sobre a oportunidade de estar fazendo parte do cenário:
“Acredito que o impacto que teria com aumento do cenário inclusivo seria igual para mim e para todas as jogadoras. Acho que quando o cenário crescer vai atrair mais organizações a investir, o que é muito importante para proporcionar suporte e oportunidades para as jogadoras e tornar o ambiente de esports ainda melhor.
Além disso, o crescimento do cenário inclusivo, com certo investimento vem também o aumento da visibilidade. Onde mais mulheres e pessoas não binárias serão inspiradas a participar, tornando o cenário mais competitivo e diverso. Ainda sim temos coisas que poderiam melhorar como: ter mais jogos em lan, lan com plateia, mais watch parties de jogos inclusivos, e quem sabe até mais vagas no mundial.”

E ainda continua, mas agora sob as palavras da também jogadora da Stellae Gaming, Melany “ripmeL” Nicosia:
“Eu comecei a jogar valorant em 2022 e esse é o meu primeiro FPS. Eu não migrei de outro jogo e nunca tinha jogado fps e nem competido antes. Então, eu fui crescendo junto com o VALORANT. Quando eu comecei a competir o cenário estava muito mais forte do que ele está hoje, tínhamos mais de 10 orgs investindo no inclusivo, muito mais times em lan, muito mais visibilidade e oportunidades para as players.
Com o passar dos anos isso foi diminuindo, hoje temos no máximo 5 orgs no inclusivo. Além disso, a quantidade de times que conseguem ir pra lan diminuiu pela metade (de 8 para 4), temos menos campeonatos. Jogar um torneio que tem uma transmissão oficial, tem watch parties, ele trás muita visibilidade.
Não só pra quem tá começando, como também para quem já joga há anos. Ano passado eu passei boa parte do ano jogando no servidor do LAS e a visibilidade que o player recebe é outra coisa. O campeonato sempre tinha transmissão, o player fazia entrevistas antes e após as partidas, coisa que eu não vejo muito aqui no Brasil.
Obviamente, com o passar dos anos, o cenário também foi crescendo mesmo sem muito investimento das organizações. Todo campeonato você consegue ver jogadores novas surgindo e todas muito talentosas. Eu realmente vejo uma luz no fim do túnel com as novas organizações entrando no VALORANT inclusivo. Acredito que 2025 vai ser um ano muito bom pra nós.”
A relevância competitiva: conquistas que inspiram

Todos os anos vemos equipes inclusivas, nas mais diversas modalidades, buscando uma vaga nas principais ligas. Por mais que o nível seja bem diferente, vemos a evolução constante. Contudo, existem casos de jogadoras e equipes que conseguiram feitos incríveis. Ambos os casos aconteceram recentemente, nos EUA.
O primeiro caso foi a contratação da atleta Ava “florescent” Eugene para o time Apeks, que participa do VCT EMEA. Florescent teve uma participação muito importante na equipe bi-campeã do VCT Game Changers, Shopify Rebellion. Por conta disso, seu talento foi notado e a mesma foi diretamente para as franquias.
Infelizmente, sua equipe já foi eliminada do VCT EMEA, mas os seus números seguiram bem elevados. Em ambas as séries, vimos os seus números bem elevados. Isso foi importante, para mostrar como o seu nível permanece o mesmo. Além disso, a sua participação apenas começou e teremos ainda muitos campeonatos pela frente.

Contudo, ainda temos mais um grande acontecimento para o cenário inclusivo. A equipe da Shopífy Rebellion – isso mesmo, a mesma equipe onde a florescent jogava – conseguiu a sua classificação para o Challengers NA. Esse é o campeonato de tier 2, onde os melhores vão para o Ascension, disputar uma vaga nas franquias.
Até o momento, esse é o primeiro time vindo do cenário inclusivo a conseguir tal feito. Temos muitas outras equipes buscando. Inclusive, dentro da disputa das vagas para o Challengers, existem dois espaços reservados para equipes do cenário inclusivo. No Brasil, a Team Liquid e o MIBR GC estavam na disputa, com elas ficando no 4º e 3º lugar, respectivamente.
Com todos esses avanços, é claro que o cenário feminino nos esports está apenas começando a mostrar todo o seu potencial. Mais do que uma tendência, a inclusão e o protagonismo feminino são passos necessários para construir uma indústria mais justa, diversa e competitiva. O futuro é promissor, e os frutos já estão sendo colhidos. Agora, cabe à comunidade, às organizações e às desenvolvedoras continuar fortalecendo esse movimento, garantindo que o espaço dos esports seja para todos e todas.
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